Cannes Lions 2018: A Reencarnação do Print por Bruno Regalo

Antes de começar esse texto preciso deixar dois pontos que são imutáveis para termos essa conversa:

1- A ideia é tudo, é o mundo, o cosmos. Sem ideia, sem vida, sem salvação. Ok?
2- Print é meio, não fim.

Voltando à programação normal, quantas vezes você já ouviu a famosa frase “O print morreu”?

Agora temos variações mais atuais: “Não tenho 1 print na pasta”, “Não faço arquivos em alta”, “Ninguém se importa com o Print” ,etc.

Eu concordo com o laudo acima e assino junto o obituário como testemunha, realmente aquela caríssima página dupla da revista nacional no domingão não existe mais e nem mesmo os ossos ficaram para contar a história.
Mas como toda morte, precisamos de uma autópsia para sabermos mais sobre o caso.

Como palpiteiro de legista, afirmo:
“O print bateu as botas mas existe reencarnação”

Reencarnação está diretamente ligada à alma. E a alma do print chama-se: Craft.
E como toda alma, essa é eterna. Está aí flutuando no nosso cotidiano dentro e fora das agências como nunca antes. O cuidado com a execução reencarnou em outros corpos, saiu das revistas e jornais para se tornar posts, apps, interfaces, pôsteres, boards ou simplesmente: imagens de impacto.
Tudo tem algum nível de craft.
O craft está no design do seu carro, nas formas da sua bike, no layout do seu app mais usado, na arte do álbum do seu artista favorito no spotify, nos letterings do vídeo da sua ação. Afinal: fontes, cores, diagramação e tudo isso que compõe essa alma nunca irá morrer. Pelo contrário, terá cada dia mais recursos e novidades.
Até o Festival de Cannes se rendeu ao Craft, criou uma arena exclusiva para julgar o melhor do artesanato criativo, tudo aquilo que foi feito com maestria e requintes de crueldade será premiado em junho no Palais.
Ali teremos de tudo: ilustração, 3D, all type, todo tipo de composição para brindar os olhos e vender uma mensagem que pode virar qualquer coisa depois, menos anúncio da “revistona de domingo”. Porque esse sim já morreu, assim como a credibilidade da revista. Mas esse é outro enterro, digo, história.

Aproveito para destacar duas campanhas que ilustram essa transformação:

Acima o vídeo da campanha da Ikea “Cook this Page” criada pela Leo Burnett Toronto.

Abaixo o GP de Print & Publishing do Cannes Lions 2017:

– Burger King “Burning Stores” criada pela David, Miami.

Sobre o autor
- Me conhecem como “Regalo”, filho de português, Vascaíno (vamos mudar de assunto?!) , fã de futebol anos 90, músico frustrado que coleciona guitarras que não tem tempo de tocar. Passa o tempo sendo diretor de criação, sócio e fundador de uma loja de doces disfarçada de agência de propaganda chamada Candy Shop.