RECEBENDO CURRÍCULOS DE QUEM NASCEU EM 2001…AHN? por Camila Jin Ahn

Parte da Geração Z já tem mais de 18 anos e é um (enorme) mercado em ascensão.

Na minha família, o neto mais velho nasceu em 1981 e o mais novo em 2001. Eu nasci no meio destes dois primos em 1991, então sempre brincávamos de que quando o caçula tirasse carteira de motorista, eu ia ficar triste por sentir que o tempo passou. E passou mesmo. Ele fez 18 anos agora no final de julho e quem vai me levar nos lugares e dirigir quando eu estiver com sono vai ser ele.

Sei que não sou velha, mas estou super impactada com o fato de que pessoas que nasceram em 2001 completarão 18 anos até dezembro. Sou uma daquelas pessoas que ainda acha que passou somente dez anos após o novo milênio e não quase vinte anos. Abri um processo de estágio aqui na empresa no começo do ano e recebi vários currículos de quem nasceu após 2000. Novamente, impactada. Esta nova geração que veio após os Millennials se chama Geração Z e temos que ficar de olho. Muitos deles já estão independentes economicamente, ou seja, se tornaram um mercado de consumo e profissional para prestarmos bastante atenção.

No final, contratei estagiárias nascidas entre os anos 1996 e 1998 (elas me ajudaram neste texto, então um super obrigada as duas

Ícones da Geração Z: Elenco de Stranger Things nasceu entre 2001 e 2004.

<3). Para mim, tem sido um relacionamento muito legal e fácil, porque tenho irmãos desta idade também. Agora fiquei pensando… como marca, como nos relacionamos da melhor maneira com eles?

Resumo do Google sobre a “Geração Z”: aqueles que nasceram entre os anos 1994 e 2009, ou seja, possuem entre 10 e 25 anos de idade.

De acordo com a McKinsey, 20% dos brasileiros pertencem a Geração Z e, se tudo der certo, é ela que irá me sustentar e me ajudar a gerar novos empregos por um bom tempo. Tenho que ver quais dos nossos valores se alinham e ter um comprometimento a longo prazo em relação aos mesmos. Uma das coisas que eles menos gostam é um propósito somente utilizado como ferramenta de marketing.

Diferente dos Millennials ou Geração Y (aqueles nascidos em 1979 a 1993), a Geração Z começa a transicionar um pouco do “eu” para o “nós”. Em um relatório da WGSN chamado “A Equação da Geração Z”, eles são uma geração fortemente dividida entre extremos opostos que eles chamam de “Geração Eu” e “Geração Nós”. Para uma marca, isso dificulta o foco no tipo de relacionamento que ela quer ter com esta geração. Ela precisa entender bem seus produtos e objetivos com o intuito de entregar valor ao seu público-alvo da melhor maneira possível.

Por exemplo, o público “Eu” da China tem um comportamento mais compulsivo em relação a compras influenciadas pelas mídias sociais. Enquanto o público “Nós”, analisa as marcas de uma forma macro e micro para comprar daquelas que realmente acreditam que tenham um comportamento positivo para a sociedade. De qualquer maneira, o relatório ressalta: “tanto a ‘Geração Eu’ quanto a ‘Geração Nós’ colocam a mão na massa. Ambos são focados em resultados e são pragmáticos, o que significa que eles querem autenticidade e consistência”.

Nascidos já com as informações na palma da mão praticamente, a Geração Z está acostumada a ter acesso a fontes de dados para investigar e entender diferentes verdades. Não quer dizer que porque eles são majoritariamente divididos entre o “Eu” e o “Nós”, que eles não aceitem as diferenças uns dos outros. Muito pelo contrário, exatamente porque eles já nasceram na era da informação, internet, tablets e smartphones, eles estão muito confortáveis com as diferenças e não toleram aqueles que não respeitam outras verdades, culturas e valores.

Ícones da Geração Z: Kylie Jenner em agosto de 2018 na capa da Forbes, milionária aos 21 anos com sua marca de maquiagem.

Entretanto, todo esse mar de conhecimento que a era digital os trouxe, também trouxe muita ansiedade. A alta conectividade das redes sociais trouxe maiores chances de infelicidade e depressão. Cada notificação do celular pode ser um aplicativo de notícias alertando um novo tiroteio em massa ou novos matches no Tinder. São informações totalmente diferentes que podem vir juntas a qualquer momento e causar uma montanha russa de emoções em segundos. Lidar com altos e baixos extremos de informações em alta escala não é fácil, e mesmo acostumada com a demanda de notificações atual, saúde mental é uma crise para a Geração Z.

Trazendo para um lado mais de consumidor, entendi que eles exigem transparência e não querem ser considerados uma massa generalizada. Cada um tem seu gosto pessoal que deve ser respeitado pelos outros consumidores e pelas marcas. O clichê do marketing: “Know Your Audience” – “Conheça Sua Audiência”, nunca fez tanto sentido. Além de um produto de qualidade, a Geração Z exige ética, valores e gerenciamento dos líderes das empresas coincidentes com os seus. Encontrar de fato qual a sua audiência, para atender esta demanda desde o interno organizacional, para depois pensar em uma estratégia de marketing com algum influenciador daquele específico público na mídia social certa? Definitivamente, não é fácil e este é o nosso maior desafio atual como marcas.

Tem muita coisa legal sobre a Geração Z para descobrirmos ainda e infelizmente meu texto aqui é curto para abordar mais coisas. Só sei que em alguns anos ele serão cerca de 2 bilhões de pessoas neste planeta, então com certeza devemos aprender mais com eles e entender diferentes verdades e nichos que eles possuem. Em vez de pensar neles, do jeito que eu já fiz, como meu priminho de 18 anos que sempre foi o caçula, pense no poder de pessoas que organizam passeatas contra racismo, homofobia, sexismo e violência a favor da inclusão. Pense que apesar da exigência (muitas vezes com razões empíricas e analíticas) de uma marca, eles também são os que mais tendem a perdoar a mesma, caso o erro seja reparado de forma transparente.

Agora um auto-questionamento: devo me sentir culpada por achar o Shawn Mendes uma graça e ter 1% de inveja da outra Camila?

Dessa vez fiz uma seleção pessoal, com uma playlist de artistas pop da Geração Z como o Dua Lipa, Halsey, BTS, Justin Bieber, Khalid e Camila Coelho:

Relatório da McKinsey: https://www.mckinsey.com/industries/consumer-packaged-goods/our-insights/true-gen-generation-z-and-its-implications-for-companies

Relatório da WGSN: https://lp.wgsn.com/en-download-gen-z-equation.html?utm_source=website&utm_medium=website-insider&utm_content=blog-post&utm_campaign=gen-z-fy18

 

 

 

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