Ensaio sobre o medo

É incrível como algumas coisas na vida se transformam em metáforas de toda uma existência. Pequenos atos demonstram como agimos em grande escala. Aquilo que fazemos quando ninguém nos vê é o mais puro reflexo do que somos. No fundo, o primeiro passo só depende de nós mesmo.

A pergunta mais comum que recebi depois de voltar das filmagens de um documentário sobre tubarões produzido pela Tru3Lab, em Bimini, nas Bahamas,foi a obvia: “você não teve medo, não?”. “Claro! Tive muito, mas não foi medo dos tubarões. Foi medo de mim mesmo, de não ser capaz”.

Em vários momentos da minha vida me recordo do livro “Inteligência Emocional”, de Daniel Goleman, Phd, Ed Objetiva. Li ele numa fase onde questionava meu futuro, o que gostaria de ser e deprimido por não ter resposta pra nada.

A perspectiva de futuro durante nossa existência muda conforme mudam os dias. Uma coisa ao menos ficou marcada nessa época: a necessidade de consciência, controle emocional e clareza analítica! Hoje, vejo essa necessidade em tudo que faço, tento me manter nesse campo o máximo de tempo possível, salvo momentos de relaxamento e preguiça onde esse mundo material desvirtua minha nave e por perigosos períodos de tempo e espaço ficamos a mercê de forças externas, alienados e suscetíveis ao lado sombrio, ao fracasso.

Quanto mais fora dessa zona obscura, mais perto dos nossos sonhos estaremos. Fico recordando esses momentos quase como portais mágicos, onde ter clareza de raciocínio é um estado quase divino, ato complexo e sublime. É quase que a certeza de se viver no presente pleno e não estar perdido entre outras dimensões. Percebo que nesses momentos a felicidade é oceânica e a verdade uma linha reta, fina, afiada e ácida.

Quando estava na ponta da embarcação, prestes a pular num mar com ao menos 30 tubarões logo ai ao lado, recobrei meus sentidos. Endorfina no cérebro é a droga mais espetacular que já experimentei, mas ela pode te jogar pra dentro ou pra fora. Nessa hora a consciência deve mandar, a vontade te deixa esperto, tunado, é hora de guerra!

Aproveitar a oportunidade não é ser oportunista, é preciso merecimento. Não depende de você, mas você pode ser o responsável. Eu estava no lugar certo, com os profissionais certos – o mestre Lawrence Wahba e a querida Sofia Graça Aranha, dois experts nos bichanos. Eu havia estudado, buscado informações técnicas e empíricas.

Esteja preparado. Saber o que pode dar errado é fundamental para evitar situações adversas – e sim, elas acontecem. Dois meses antes um advogado alemão havia sangrado ate morrer no mesmo local.

Uma vez na água, tive uma recepção calorosa, pedi a bênção, pedi licença. Fui honestamente bem recebido e respeitei. Abusei. Entortei alguns limites e fui feliz. Aqueles seres que evoluíram por 400 milhões de anos não se interessariam por um paulistano imundo de poluição e muito bem intencionado.

Senti-me em casa, fiquei à vontade. Já estou com abstinência!

*fotos clicadas por Lucas Pupo

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Ensaio sobre o medo

Sobre o autor
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